Joaquim Sassa era o tipo de homem que se
recusava a usar blusa de gola alta, porque adorava conversar com os seus
botões; a manhã acordou-o desprotegido, cogitando sobre coisas impassíveis de
uma racionalidade lógica, mistérios complexos da mente humana que nos roubam as
palavras e repousam na incredulidade! Mas adiante, porque continuar é preciso…
Sassa vivia frugalmente com os amplos
rendimentos da venda dos seus romances bem como da produção e venda de
presuntos e enchidos alentejanos, que denominava de serpenses. Era um homem feliz na sua solidão, embora, nos seus
pecados íntimos escondesse o doce pecado da gula, no caso, um terrível feitiço
por mulheres de olhares penetrantes, que o encantavam e depois o desgraçavam,
nas ruelas da sua vida!
E, porque o destino é o desgostoso fado da
reincidência bruta, como outras vezes, quando os olhos dele se cruzaram nos
olhos de Joana Carda, sentiu-se desventurado, feliz na sua desgraça, outra vez
apaixonado; Carda era dona e legítima proprietária do café central, conhecido
por refúgio da coitadinha de uma
aldeia vizinha, onde Sassa se tinha deslocado para uma tertúlia gastronómica,
acompanhada por néctar alentejano. Ciente da sua desgraça, Sassa declarou-se,
prometeu-lhe um amor eterno pelo tempo que durasse e fez-lhe a irrecusável
proposta de irem os dois viver um ano, para as praias quentes da Republica
Dominicana, a expensas dele, porquanto, basta olhar para uma foto, para
perceber o que ela gosta nele. Mas enfim, deixemos que cada uma construa a cama
onde se deita!
Partiram dois dias depois; pelo meio ela fez um
contrato com José Anaiço onde este se comprometia a explorar o café durante a
ausência dela, sendo que, Maria Guavaira, dono do imóvel onde estava o café,
ficou na mais completa e silenciosa ignorância!
O pagamento foi feito com um
cheque, cujo pagamento foi garantido por Adalberto, datado de 30 de Março;
porque faltavam apurar as existências, o valor estava omisso. Carda, aproveitou
esse facto, colocou num cheque um valor muito acima do acordado e transmitiu-o
a Genoveva que, um mês antes da data que estava no cheque, depositou-o! Mas a
infelicidade bateu-lhe na porta e o cheque, para desespero dela, estava despido
de provisão.
0 comments:
Post a Comment